A Luta

Com o trabalho voluntário, médica diminui internação de crianças com epilepsia no Conceição

15/08/2016

Bebe--voluntarios

Ao dedicar a vida à medicina, Liselotte encontrou a plenitude e a felicidade. Do alto de 50 anos de carreira, a médica reflete sobre a importância do caráter humano da profissão e do aprendizado proporcionado pela dedicação ao voluntariado.

A primeira residente da neurologia do Grupo Hospitalar Conceição iniciou suas atividades em 1968. Hoje, com 86 anos, mesmo depois de ter sofrido dois AVCs, a médica Liselotte segue atendendo de 12 a 14 pacientes por dia. Devido aos problemas de saúde foi autorizada pelo seu médico a trabalhar um turno por dia. Essa restrição a impediu de continuar realizando trabalhos voluntários.

Mas durante seus 50 anos de profissão um importante trabalho foi realizado. Em 2003, Liselotte nos conta que comandou por três anos o projeto De Volta Pra Casa Epilepsia. “Eu atendia muita gente com epilepsia e os familiares não sabiam como deveriam proceder durante uma crise epiléptica. Percebi que se eu os instruísse como agir durante uma crise eles ficariam mais calmos e não precisariam vir para a emergência. Em 2003, atendia no Conceição pela manhã e à tarde em um posto de saúde de Alvorada, onde me aposentei. Com as tardes livres comecei a desenvolver o trabalho De Volta Pra Casa Epilepsia nos 12 postos de saúde próximos ao Conceição, das 13h às 17h. Atendia os pacientes com epilepsia e quem estava aguardando por uma consulta neurológica no Conceição. Dessa forma, praticamente zerei a fila de espera do hospital. Para minha surpresa, eu soube que o meu atendimento diminuiu em 60% a internação de criança com epilepsia na Casa da Criança”, explica Liselotte.

O casamento com a medicina

O sonho de ser médica e ajudar o próximo fez a médica abrir mão do casamento. “Era funcionária pública e visitadora sanitária, justamente a educação sanitária do povo. Abri mão do meu casamento porque meu marido não queria que eu fosse médica, mas fui atrás do meu sonho, passei no vestibular como a primeira da turma. Meu objetivo de vida sempre foi focar no que eu poderia fazer pelo meu semelhante por isso sempre digo pro meu paciente que ao entrar por essa porta ele deixa de ser apenas um paciente, ele passa a ser um membro da minha família”, destaca.

Para a neurologista, muito mais importante do que medicar o paciente é ouvi-lo. “Percebo que o médico novo não é levado a encarar a parte humana e é aí que está a importância da medicina. O que as pessoas mais precisam é de atenção, amor e respeito. Uma consulta tem que ir além da preocupação do sintoma. Tu tem que olhar para o teu paciente, ele precisa que sentir que pode confiar em ti. Se tem alguma coisa na minha vida de médica na qual sinto que não avancei foi ensinar essa turma jovem a dizer para os professores que deveria ter uma matéria de humanística, porque é muito importante tu dar para o teu paciente calor humano. Eles precisam aprender a tratar do paciente. Por isso acho que a gente faz um voluntariado em cada paciente que atendemos”, afirma.

“Meu próximo passo é fazer um trabalho voluntário no Asilo Padre Cacique onde a assistente social já está vendo como posso atuar, mas preciso curar primeiro minha fratura na coluna”, afirma Liselotte.

O amor ao cuidar dos pacientes

Jeison é um dos centenas de pacientes tratados pela dra Liselotte. A neurologista o conheceu ainda adolescente, totalmente desacreditado e sem perspectiva de uma vida melhor. Após o tratamento, Jeison - que chegou para a sua primeira consulta em uma cadeira de rodas - hoje é um atleta.

https://youtu.be/sWyujDm8teI

Jornalista Camila Ferro

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