A Luta

Médicos recebem proposta para voltar a atender em hospital de Canoas

A prefeitura de Canoas propôs, nesta quarta-feira (7), pagar um mês de vencimentos dos médicos do Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG) para a retomada dos atendimentos eletivos, paralisados há mais de dois meses devido a atrasos de um ano nos pagamentos de cerca de 120 profissionais. O Simers levará a oferta aos médicos em reunião nesta quinta-feira (8), para que uma resposta seja apresentada na sexta-feira (9). O pagamento é prometido para a semana que vem. 

Este foi um dos itens da audiência entre Sindicato Médico, município, Associação Beneficente de Canoas (ABC), a mantenedora do HNSG, e Ministério Público Estadual (MPE), para tratar da grave crise do estabelecimento de saúde. A diretora do Simers Clarissa Bassin considerou que a proposta é insatisfatória.  O encontro foi na sede do MPE em Canoas.

"Saímos daqui sem respostas, apenas com um mês de pagamento garantido. Não há perspectiva de como serão quitados todos os atrasados", lamentou a diretora. O Simers levou a situação de extrema crise do HNSG ao MPE pedindo ações na semana passada. O risco de inviabilizar o funcionamento do hospital é grande.  

Para o Simers, a audiência foi importante para mostrar que há sérios problemas na gestão do hospital. Uma das informações apresentadas é que está ocorrendo negociação para que o Hospital Divina Providência, com sede em Porto Alegre, assuma o HNSG. 

"O hospital só sobrevive com o trabalho dos médicos. O que a ABC tem feito é afastar os profissionais do corpo clínico. Qualquer um que trabalha precisa saber quando vai receber", destacou Clarissa. "Hoje os médicos estão, na prática, financiando o atendimento. A ABC admitiu, na audiência, que vem usando o dinheiro de honorários médicos repassados pelos convênios para pagar os salários dos demais funcionários", lamenta a dirigente sindical. 

Na audiência, foram tratados ainda da repactuação de contratos com médicos e fornecedores, revisão de empréstimos, plano para manter a instituição e medidas para não perder a habilitação para realizar tratamento de oncologia. A ABC terá de apresentar em nova reunião, em 26 de novembro, propostas para resolução das dificuldades.

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