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O presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Marcelo Matias, participou de uma mesa-redonda sobre o futuro da Medicina durante o 2º Encontro das Ligas Acadêmicas de Oftalmologia do Rio Grande do Sul, no último sábado, 24, no auditório da Associação Médica do RS (Amrigs), em Porto Alegre. Também participaram do painel o presidente da Amrigs, Gerson Junqueira Júnior, e o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do RS (Cremers), Régis Angnes.
Em sua fala, Marcelo Matias abordou os impactos do aumento expressivo do número de faculdades de Medicina no Brasil nos últimos anos. O presidente do Simers frisou que a Medicina brasileira vive uma de suas transformações mais severas e desafiadoras das últimas décadas.
Segundo Matias, a mudança definitiva ocorreu em 2013 com a instituição do Programa Mais Médicos, que abriu as portas para centenas de novas graduações – inclusive por via judicial –, elevando o número de instituições aprovadas e superando proporcionalmente nações populosas como a Índia na relação de escolas por habitante. Ele ressalta que essa proliferação desenfreada transformou o ensino médico em um negócio altamente rentável para os conglomerados educacionais, mas cobrou um preço alto dos profissionais na ponta.
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“Para se ter uma ideia, legalmente, depois da lei do Mais Médicos, abriram 180 faculdades. Além disso, abriram mais 125 na Justiça. Criou-se um subterfúgio para virar um negócio”, reiterou.
A desvalorização do trabalho ganhou contornos ainda mais graves com a terceirização irrestrita da atividade-fim, autorizada pela Reforma Trabalhista de 2017 e respaldada pelo Supremo Tribunal Federal. Esse arranjo gerou longas cadeias de intermediação, nas quais empresas recém-criadas quarteirizam escalas de atendimento hospitalar e impõem contratos frágeis.
Matias fez um alerta contra o uso da Sociedade em Conta de Participação (SCP) na escala de plantões: além de retirar direitos básicos e expor o médico ao risco de inadimplência, essa manobra desvirtua a figura do sócio oculto e é tipificada como crime fiscal, arrastando recém-formados desavisados para litígios tributários e criminais.
Caminhos para se manter relevante no mercado
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O presidente do Simers afirma que o caminho para se manter relevante e competitivo no mercado de trabalho exige planejamento estratégico e qualificação rigorosa. Como estratégias para superar a crise do setor, Marcelo
Matias enfatizou que a obtenção do CRM é apenas o ponto de partida e que a qualificação contínua em especializações de alto valor agregado é indispensável para garantir espaço no mercado.
“Quero dizer a vocês que a Medicina é a profissão mais linda do mundo, e que tem inúmeras coisas que só nós conseguimos. Quanto mais humanos nós permanecermos, quanto mais nós mantivermos aquilo que a IA não consegue oferecer, que é o nosso foco, a nossa humildade, a nossa proximidade com os pacientes, nós sobreviveremos a todas essas dificuldades”, finalizou Matias.
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