O início da greve dos residentes do Hospital Universitário (HU) de Canoas, nesta quinta-feira, 29, foi marcado pela afirmação da gestão da instituição de que a formação de especialistas representa aumento de custos. A declaração foi dada na reunião com Comissão Estadual de Residência Médica (CEREM-RS), que está avaliando as condições do HU para seguir com os programas. Para o presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul, Marcelo Matias, a opinião da superintendência do hospital mostra uma deturpação do papel dos médicos residentes. O coordenador do Núcleo Médico Jovem do Simers, Vinícius Conejo, também participou da reunião.
“São eles que estão dando suporte em quase todos os setores, como na UTI Neonatal e na sala de parto, que não possuem escalas de médicos especialistas completas. Muitas vezes, são os residentes que atendem sozinhos, o que não deveria ocorrer sob hipótese alguma”, ressalvou Matias. O presidente ressaltou que os insumos usados nos atendimentos nos programas seriam utilizados da mesma forma, sendo o profissional um residente ou um especialista.
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A paralisação reivindica condições adequadas para o aprendizado nas especialidades de cada programa, como escalas completas de preceptores e anestesistas, o que não vem ocorrendo devido aos atrasos nos pagamentos desses profissionais.
A presidente do CEREM-RS, Tânia Resener, explicou que a comissão foi acionada após receber denúncia da residência de cirurgia geral. A Coreme, comissão responsável pelos programas no HU, também fez queixa à comissão nacional sobre a contratação indevida de médicos sem qualificação, fazendo preceptoria de residentes que têm maior experiência e conhecimento. Tânia enfatizou que problemas graves necessitam de solução urgente ou os danos serão piores. “Diante da gravidade das denúncias, ficou entendido que deveríamos vir avaliar todos os programas”, salientou. Um relatório será avaliado pela câmara técnica da comissão nacional e submetido à plenária que ocorre no fim de fevereiro.
Prefeitura
De acordo com representantes da Ulbra, o convênio para os programas de residência ocorre com o Município, a quem o HU pertence. Desde dezembro de 2024, a gestão do hospital é feita pela Associação Saúde em Movimento (ASM).
No início da tarde, o Simers e representantes dos residentes foram recebidos pelo prefeito Airton Souza e alguns secretários municipais, incluindo a titular da pasta da Saúde, Ana Boll. Os médicos retrataram as péssimas condições de formação dos programas.
Segundo o prefeito, o Município vem arcando com todos os custos, sem contrapartida da Ulbra. O coordenador do Núcleo Médico Jovem do Simers enfatizou os prejuízos que os residentes estão tendo na sua formação. “E ouvir que o médico residente é um custo, sem avaliar os benefícios do trabalho desses profissionais, chega a ser um ultraje”, afirmou Conejo.
Matias sublinhou que os residentes não podem ser culpados por acordos da gestão do HU ou da universidade com o Município que não são cumpridos. Ele ainda rejeitou o pedido feito pela Prefeitura para que os residentes suspendam a greve enquanto é montado um plano para solucionar a questão. E sugeriu, novamente, que Canoas abra mão da gestão plena em saúde.
A presidente da Fundação Municipal de Saúde, Raquel Caetano, que agora faz parte de uma comissão de gestão do HU, propôs às residentes a criação de um grupo de trabalho.
O Simers vai seguir apoiando a greve e lutando para que os residentes tenham acesso a programas que cumpram as exigências para uma formação de qualidade. Aderiram ao movimento os residentes de pediatria, neonatologia, cirurgia geral, otorrinolaringologia, ginecologia e obstetrícia.
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