
O diretor e coordenador do Núcleo de Psiquiatria do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Ricardo Nogueira, ministrou uma palestra na manhã desta segunda-feira, 8, na sede da Cooperativa de Trabalho dos Médicos do RS (Coopmed-RS), onde também é diretor técnico. Em sua fala, Nogueira abordou a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passa a incluir a saúde mental como parte essencial da gestão de riscos no trabalho.
O psiquiatra destacou que não basta cuidar apenas da saúde física dos colaboradores, sendo necessário prevenir problemas psicológicos e promover equilíbrio emocional, bem-estar e ambientes livres de assédio moral, hierárquico e sexual. Ele também comentou sobre os fatores que podem gerar riscos psicossociais, como sobrecarga de trabalho, metas excessivas, conflitos interpessoais, falta de autonomia e jornadas prolongadas.
Nogueira explicou que o objetivo da norma é prevenir adoecimentos mentais e incentivar uma mudança cultural nas organizações, valorizando os colaboradores e criando condições adequadas de trabalho. “É preciso ter um olhar voltado para a saúde mental e o equilíbrio emocional no trabalho. A principal mudança trazida por essa norma é a inclusão dos riscos psicossociais como parte obrigatória do programa de gerenciamento de riscos”, pontua.
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Além disso, ele enfatiza a importância de metas realistas, boa comunicação entre equipes e respeito às diferenças individuais para evitar frustrações e conflitos. Menciona ainda que jornadas excessivas e privação de sono, especialmente em profissões como a Medicina, podem comprometer a saúde, o desempenho e a segurança no trabalho.
A avaliação dos riscos deve ser feita por meio de questionários, entrevistas e indicadores como faltas, afastamentos médicos, acidentes de trabalho e rotatividade de funcionários, que ajudam a identificar problemas organizacionais e de saúde mental. Para lidar com esses riscos, as empresas devem definir claramente funções, adequar cargas de trabalho, melhorar a comunicação interna, capacitar lideranças, prevenir o assédio e gerir conflitos de forma adequada. Além disso, devem oferecer programas de promoção da saúde mental, canais de escuta, acolhimento e encaminhamento para atendimento especializado quando necessário.
O psiquiatra destaca que todas essas medidas precisam ser monitoradas e revisadas periodicamente para verificar sua eficácia, com reavaliações obrigatórias em até dois anos ou antes, caso os resultados não sejam satisfatórios. O objetivo central é promover um ambiente de trabalho mais saudável, seguro, humanizado e capaz de reduzir afastamentos, adoecimentos e rotatividade.
Prevenção e programas de saúde corporativa
Outras condições que afetam a saúde mental foram abordadas na palestra, como ansiedade e depressão, além da importância de identificar sinais de sofrimento antes de eles se agravarem. Nogueira defende a implementação de programas estruturados de saúde corporativa, voltados tanto para o bem-estar físico quanto mental, incluindo ações de atenção primária à saúde, prevenção de doenças crônicas e oferta de suporte aos trabalhadores.
“Nós estamos vivendo em uma sociedade doente. Antigamente, não havia esse número de atestados médicos por depressão. O alcoolismo dobrou nos últimos dez anos. A drogadição também aumentou. Hoje temos também o problema das apostas online. Por isso, nós precisamos cuidar da nossa saúde mental e, sempre que for preciso, pedir ajuda”, reitera o diretor.
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