Simers avalia condições de trabalho em unidades de saúde do Litoral Norte
Defesa

Simers avalia condições de trabalho em unidades de saúde do Litoral Norte

Relatos apontam atrasos salariais, precarização de vínculos, violência contra médicos e dificuldades no acesso à atenção especializada na região

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02/03/2026 14:32

O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) realizou, nos dias 26 e 27 de fevereiro, uma série de visitas às unidades básicas do Litoral Norte gaúcho. A ação foi coordenada pela conselheira Denise Affonso e teve como foco a avaliação das condições de trabalho, a escuta de demandas da categoria e a orientação jurídica aos médicos da região. Também acompanharam as assessorias de relações governamentais e jurídica Sindicato. 

A comitiva esteve em Atlântida Sul, Xangri-Lá, Capão da Canoa e Torres. As unidades somam milhares de pacientes cadastrados, com equipes formadas, em geral, por dois médicos clínicos, profissionais de enfermagem, agentes comunitários e, em alguns casos, atendimento de ginecologia e odontologia.

Xangri-Lá

EFSs Marina.Foto Ascom/Simers

Nas ESFs Rainha do Mar, Marina e Guará, os profissionais relataram ausência de atrasos salariais, mas apontaram salários abaixo da média regional e demora no acesso à atenção secundária via Gercon, inclusive para consultas oncológicas.

Há unidades com câmeras e seguranças, mas outras não contam com porteiro. Também foram mencionados consultórios pequenos e episódios de agressão verbal. Médicos que atuam com vínculo de Pessoa Jurídica (PJ) destacaram a precariedade do modelo, sem benefícios trabalhistas. 

Atlântida Sul

Foto Ascom/Simers

Na ESF, os médicos relataram que não há falta de medicamento ou mesmo insumos, além de não existirem atrasos nos pagamentos salariais. Entre os principais problemas estão a demora na atenção secundária e a ausência de equipe de segurança. Profissionais também apontaram pressão – por parte dos pacientes – relacionada à prescrição de psicotrópicos. 

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Capão da Canoa 

 

No Centro de Especialidades, a equipe do Simers conversou com profissionais de três unidades da região: Arco-Íris, Praia do Barco e Novo Horizonte. O atendimento no local contempla especialidades como endocrinologia, dermatologia, cardiologia e psiquiatria. 

Entre os pontos levantados está o pagamento de salário abaixo da média. O Sindicato se comprometeu a avaliar a situação e estudar a possibilidade de um acordo coletivo. 

Torres

Foto Ascom/Simers

No Posto de Saúde Central América Muniz, que reúne uma Equipe de Atenção Primária (EAP) e duas ESFs e atende cerca de metade da população da cidade, médicos PJ denunciaram atrasos salariais recorrentes, com mais de 60 dias de espera. Segundo relatos, a empresa contratante atribui o problema à falta de repasse da Prefeitura Municipal. Também há relatos de escassez de materiais para coleta de exames.

A violência verbal contra médicos apareceu como um dos pontos mais sensíveis, especialmente em Torres. No Posto de Saúde, a equipe do Simers presenciou um episódio de agressão verbal durante a visita.

Profissionais relataram que as médicas mulheres são alvo de desrespeito e comportamentos agressivos por parte de pacientes com mais frequência.

Na ESF Sadi Pipet de Oliveira e na ESF São Francisco, médicos relataram atrasos salariais, falta de benefícios para PJ, demora para exames e especialistas e, em alguns casos, carência de medicamentos e agentes comunitários. A preocupação dos médicos é relacionada ao verão: no período a demanda chega a triplicar, segundo relatos. 

Também foram apresentadas condições inadequadas para atendimentos domiciliares em áreas de praia, como Itapeva e arredores, onde consultas ocorrem em espaços improvisados, como galpões e cozinhas desativadas.

Receptividade e presença jurídica 

Para a conselheira do Sindicato, Denise Affonso, a receptividade dos médicos do Litoral Norte foi um dos pontos que mais chamaram atenção. “Existe uma necessidade do Simers estar mais presente também no Litoral, especialmente diante de questões como salários defasados e dificuldades estruturais.”, afirmou a médica. 

A conselheira também ressaltou que pautas debatidas na capital, como o reconhecimento do período da pandemia para fins de licença-prêmio, repercutem entre os profissionais da região. Segundo ela, a presença do Sindicato no interior reforça a parceria com os médicos e amplia o diálogo com a categoria. 

A Operação Litoral deve seguir nas próximas semanas com visitas em outras unidades da região litorânea.

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Tags: Litoral Litoral Norte Núcleo de Pediatria do Simers Núcleo de Medicina de Emergência Núcleo de Atenção Primária e Medicina de Família e Comunidade

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