O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) realizou um levantamento com médicos da Atenção Primária à Saúde (APS) em instituições do litoral gaúcho em 2026. As visitas conduzidas pelo Núcleo de Especialidade da Atenção Primária nos meses de fevereiro, março e abril foram feitas a 53 unidades distribuídas em dez municípios.
A segurança no ambiente de trabalho, assim como em outras regiões visitadas pelo Sindicato, aparece como uma das maiores vulnerabilidades da categoria. As respostas apontam a ausência de porteiro nas unidades em 77% dos casos, enquanto 65,2% relatam a inexistência de equipe de segurança. Além disso, 51,7% afirmam que os estabelecimentos não possuem câmeras de monitoramento. No que se refere a situações de violência, principalmente verbal, foram contabilizados 34 relatos de ocorrências nos municípios de Arroio do Sal, Balneário Pinhal, Capão da Canoa, Cidreira, Imbé, Osório, Palmares do Sul, Torres, Tramandaí e Xangri-Lá.
Os médicos atuantes são predominantemente PJ, representando mais de 46%, com participação de cotistas. Quanto aos atrasos remuneratórios, 28,1% afirmam que há ocorrência, enquanto 58,4% apontam que não há esse problema. O quantitativo médio de consultas varia entre 20 e 24 por dia. Em 22,5% das respostas, os profissionais relatam sofrer pressão, com menção do aumento do número de atendimentos e de encaixes de pacientes.
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Nas equipes médicas o Clínico Geral é a especialidade mais presente, estando disponível em 48 estabelecimentos. Em seguida, o Pediatra atende em 33, ao menos uma vez por semana, enquanto o Médico de Família e Comunidade está presente em 30 unidades. Por fim, a especialidade de Ginecologia e Obstetrícia foi mencionada em 7 instituições.
Na infraestrutura, 27% dos entrevistados indicam a inexistência de exames disponíveis nas instituições, enquanto 38,2% relatam dificuldades para solicitação de exames complementares, com destaque para os de imagem.
Quanto ao acesso à atenção secundária, a maioria avalia como demorado, e apenas 18% dos respondentes o consideram adequado.
Quanto aos insumos disponíveis, 48,3% apontam a falta de medicamentos, com destaque para a dipirona. Outros 36% indicam a ausência de equipamentos médicos e 15,7% de produtos descartáveis. Já a escassez de EPIs foi relatada por 15,7%.

As respostas reforçam a necessidade da sequência da atuação do Simers no Litoral. As principais demandas envolvem fortalecimento da defesa trabalhista, aprimoramento das condições salariais e contratuais, além de melhorias na estrutura assistencial, segurança e organização dos serviços.
A ação é fruto de uma série de trabalhos para uma maior proximidade com os profissionais, com escuta ativa e presença em todo território do Rio Grande do Sul.
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