Medicina

Abertura de novos cursos de medicina não é a solução para a crise na saúde

08/04/2021 17:58

O Simers (Sindicato Médico do Rio Grande do Sul) se manifesta contrário ao Requerimento 20/2021, da deputada federal Adriana Ventura (Novo/SP), que propõe a realização de audiência pública conjunta na Câmara dos Deputados, entre a Comissão de Educação e a Comissão de Seguridade Social e Família, para tratar da abertura de novos cursos de medicina no país. A parlamentar, que foi procurada pelo Simers diversas vezes para conversar, mas não deu retorno aos pedidos de agenda, justifica que a proposição visa a discussão sobre a qualidade do ensino oferecido pelas faculdades.
 
O Simers contesta a iniciativa e estabelece movimento contrário à referida proposição ao ponderar que o tema "qualidade no ensino" é de responsabilidade das universidades, as quais devem ser monitoradas e cobradas pelos órgãos competentes e pelos alunos, de forma permanente. A entidade defende veementemente a valorização dos médicos e acadêmicos de medicina e, nesse momento de grave crise mundial na saúde, considera extremamente preocupante iniciativas ou menções que possam descredibilizar a formação dos profissionais.

Para o Simers, não há necessidade de mais faculdades e, sim, de fiscalização e disponibilidade de estrutura à melhor formação dos profissionais. Em 2019, a OMS (Organização Mundial da Saúde) divulgou um estudo apontando que o Brasil era o segundo país do mundo com o maior número de faculdades de medicina. Além disso, existem no país 2,2 médicos por mil habitantes, o que também elimina o argumento de que "faltam médicos", tendo em vista que o número de profissionais está bem acima do mínimo recomendado pela OMS, que é de um profissional para cada mil habitantes.  

“Mais importante do que abrir novos cursos de medicina, é necessário qualificar os já existentes, visto porque algumas escolas criadas nos últimos anos não apresentam ensino adequado aos alunos e, dessa forma, é possível que os mesmos sejam liberados para o mercado, com formação deficitária”, argumenta o vice-presidente do Simers, Marcos Rovinski, que lidera o Núcleo de Pautas Nacionais do Simers.

O Simers reconhece que o atual momento é de grandes desafios para a saúde e acredita que a criação de novos cursos de medicina não seja a solução. "Antes de formar novos profissionais, é preciso garantir qualidade no ensino aos acadêmicos e nas condições de  trabalho daqueles que já estão na ativa", observa o diretor de Projetos Especiais do Simers, Vinícius de Souza, ao destacar que a qualificação do ensino é uma das principais bandeiras de defesa da categoria e dos estudantes. 

Os diretores ressaltam que o Simers está buscando apoio junto às instituições representativas, políticos e autoridades para conscientização sobre o tema e pedido de providências sobre a importância da qualificação das faculdades já existentes.

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