A Medicina

As células imortais que contribuíram para a evolução da Medicina

19/09/2018 09:16

Foram suas células que tornaram a lavradora de fumo americana Henrietta Lacks uma das mais relevantes personagens para o desenvolvimento da Medicina, em especial para a busca da cura de algumas das patologias que mais desafiaram as ciências médicas no século passado. Ela era uma mulher humilde, descendente de escravos e mãe de cinco filhos. Foi vitimada por um câncer no colo uterino e, ao procurar tratamento, teve seu material genético coletado para análise. As células do câncer que mataram Henrietta carregavam – e ainda carregam – uma característica incomum, que é a capacidade de se reproduzirem continuamente, mesmo fora de seu corpo.

Câncer agressivo permitiu avanços em pesquisas

A importância de Henrietta para a Medicina começou a se materializar em 1951, quando ela procurou ajuda no Hospital Johns Hopkins, na cidade de Maryland, nos Estados Unidos, para tratar de um caroço no útero. O diagnóstico foi um câncer que resistiu ao tratamento por meio de radioterapia e se espalhou rapidamente por seu corpo. Porém, durante os exames clínicos, o médico fisiologista George Otto Gey constatou que as células cancerígenas reproduziam-se continuamente, como jamais havia sido observado em nenhum tecido semelhante. Essa condição, que impedia o sucesso de qualquer tipo de tratamento, era um grande achado do ponto de vista da pesquisa médica. Acredita-se que o material genético de Henrietta, batizado de células HeLa, tenha essa capacidade especial por conter algum tipo de mutação na enzima telomerase, que regula a capacidade de uma célula de dividir-se. Como essas células não se reproduzem continuamente elas podem ser utilizadas nos mais variados tipos de testes. Isso permitiu ampliar o escopo das pesquisas, ao contornar as dificuldades verificadas no uso de tecidos comuns, que comprometiam os resultados dos estudos por sua pouca resistência in vitro. George Otto Gey não apenas cultivou as células cancerígenas coletadas do útero de Henrietta, como as enviou para laboratórios em todo o mundo. Assim, o material foi essencial para avanços na cura e prevenção de doenças como a poliomielite, diabetes e hemofilia, entre outras.
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