A Luta

Corte de médicos pode duplicar filas em UPAS e hospitais

11/01/2017 11:22

A preocupação do Sindicato Médico do RS (SIMERS) com a redução do número mínimo de médicos nas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) é também o alerta de outras instituições. O Centro Brasileiro de Estudo de Saúde (Cebes) diagnosticou que hospitais que tiveram alívio na sobrecarga e no atendimento com a abertura das UPAs voltarão a ficar lotados. Para o SIMERS, a situação é ainda mais grave, já que nem mesmo uma UPA localizada próximo a um grande hospital representou redução significativa no atendimento da emergência. É o caso da UPA Zona Norte, em Porto Alegre, e o Hospital Conceição. A taxa de ocupação da emergência deste hospital praticamente não varia antes ou depois da instalação da UPA na região norte de Porto Alegre, em setembro de 2012. O mesmo ocorre se compararmos os dados do Hospital de Clínicas. A informação é de um levantamento da taxa de ocupação dos leitos de emergência destas e de outras instituições, realizado pelo SIMERS. Além disso, há uma grande procura pela UPA, que contabiliza uma média de 500 atendimentos por dia. O local recebe uma importante parcela de moradores de cidades vizinhas, como Alvorada, Viamão e Cachoeirinha.  Com isso e com a redução de médicos das unidades, o SIMERS teme que dobrem as filas de espera para atendimento nas UPAs e nos hospitais. O Sindicato se manifestou veemente contra a medida do Ministério da Saúde, de reduzir o quadro das UPAs de quatro para dois médicos. Para a entidade, é uma irresponsabilidade e negligência do principal gestor da saúde no país. “A espera e o sofrimento dos pacientes vai aumentar, pois a demanda não cairá pela metade, ao contrário, teremos um aumento crescente da população que necessita do SUS e, o que tem sido rotina, de mais tensão e violência”, alerta o presidente do SIMERS, Paulo de Argollo Mendes. Outros fatores devem contribuir para o aumento da procura nas unidades de pronto-atendimento, como o desemprego, que atinge mais de 12 milhões de pessoas no país, e o consequente abandono dos planos de saúde.
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