A Luta

Descompasso: Brasil tem 1.158 unidades de saúde que nunca foram inauguradas

18/05/2017 12:41

A previsão de entrega era para julho de 2013, mas até agora as portas da Unidade Básica de Saúde (UBS) Dr. Giovani Batista Molon seguem fechadas para a população. Localizada no Balneário Santa Rita, em Palmares do Sul, a obra faz parte de uma extensa lista de prédios que estão prontos, mas nunca foram inaugurados (veja no infográfico). Na maioria dos casos, a justificativa é a escassez e a incerteza no repasse de verbas federais para custear o funcionamento das unidades de saúde. Além disso, os municípios também reclamam da falta de autonomia para a aplicação dos recursos. Na outra ponta, médicos e pacientes precisam conviver com a superlotação, em um descompasso que pode custar vidas. Para a vice-presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (SIMERS), Maria Rita de Assis Brasil, fica claro que não existe apenas falta de recursos, mas que o planejamento feito também não é eficiente. “A gestão e o pensar na área da saúde, assim como em qualquer outra, precisam ser sistêmicos. É preciso ver o que se pretende, para quem, como, qual é o custo mensal, quem vai construir e quem vai operar. Não adianta ter um prédio e só pensar nessas variáveis depois, estamos falando em dinheiro público investido”, destaca. As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) retratam essa lógica em que primeiro se põe em prática e depois se avalia as opções de continuidade do serviço. Atualmente, existem 165 delas que nunca chegaram a atender um único paciente no país. Para resolver o problema e diminuir custos, em dezembro de 2016 o Ministro da Saúde, Ricardo Barros, anunciou a flexibilização no número mínimo de médicos necessários para que o funcionamento aconteça. Maria Rita argumenta, porém, que a demanda vai seguir a mesma prevista pelo planejamento inicial – ou até mesmo aumentar. Como resultado, surge a demora nos atendimentos e o risco de situações de violência, cada vez mais comuns na área da saúde. Ou seja, enquanto gestores empurram a responsabilidade de um para o outro e não avaliam as necessidades de quem utiliza o Sistema Único de Saúde (SUS), a população assiste a depreciação dos prédios sem uso.     unidades-de-saude-fechadas    

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