A Luta

Despreparo do Gamp para gerir a saúde em Canoas chega ao limite

06/04/2017 16:00

Reunião com representantes do Gamp
Clarissa ressalta aos representantes do Gamp que o descasso já começou. Foto: Divulgação/SIMERS
A falta de preparo do Grupo de Apoio à Medicina Preventiva e à Saúde Pública (Gamp) para gerir dois terços do serviço público de saúde em Canoas é cada vez mais evidente. Na manhã desta quinta-feira (6), o corpo clínico do Hospital de Pronto Socorro (HPSC) do município e o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (SIMERS) estiveram reunidos com representantes da organização social para cobrar retorno e medidas efetivas diante do caos instaurado na unidade. Para a diretora do SIMERS Clarissa Bassin, a falta de respostas claras e contundentes dos representantes do Gamp demonstrou o despreparo da gestão em garantir a manutenção do atendimento à população de Canoas e aos mais de 130 municípios para os quais o HSPC é referência. Por isso, ela solicitou que a organização social faça uma declaração pública sobre o desabastecimento de insumos básicos para o funcionamento do hospital, ressaltando que opera em restrição até que a situação seja normalizada. “Nunca se viu o que tivemos nesses quatro meses de gestão do Gamp. A desassistência já começou em Canoas. O que está acontecendo aqui é a desestruturação de um serviço reconhecido por sua qualidade. Não há condições de continuar dessa forma”, destacou ainda. Clarissa também ressaltou que o Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) já foi notificado para vistoriar a unidade e verificar as condições precárias para o exercício da Medicina. A lista de problemas é extensa e inclui falta materiais como luvas e gaze, além da inexistência de medicamentos como paracetamol e ibuprofeno. Os médicos relatam que a falha começou depois que o Gamp alterou o funcionamento do almoxarifado, que deixou de operar dentro do HPSC, sem qualquer conversa ou comunicado aos funcionários. “Se as ações administrativas não forem combinadas conosco, que dominamos a parte técnica, não há como o fluxo funcionar. Isso desqualifica o atendimento e coloca em risco o elo mais fraco, que é a população. Esse hospital precisa de ações imediatas”, ponderou o diretor do corpo clínico do Hospital de Pronto Socorro, Rogério Scheneider.

Problemas também na área trabalhista

Mas os problemas causados pela gestão do Gamp não ficam restritas à área de assistência. Também são inúmeras as irregularidades de ordem trabalhista. Embora os médicos tenham o desconto em sua folha de pagamento da contribuição ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o valor não é repassado desde que a organização social assumiu a administração, em dezembro de 2016. Além disso, os médicos reclamam que muitos têm sofrido assédio para que deixem de trabalhar como celetistas e passem a atuar como Pessoa Jurídica (PJ), por meio de vinculação com empresa específica, ligada ao Gamp, fato que já é investigado pelo ministério público do trabalho, a quem o SIMERS já forneceu provas. Após pressão do SIMERS, a justiça determinou que o Gamp entregasse os informes do Imposto de Renda aos médicos. No entanto, os profissionais alegam que o valor informado no documento é diferente daquele que consta no contracheque, o que pode render dificuldades com a Receita Federal.
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