A Medicina

E-book sobre escravidão e pós-abolição é lançado no Museu de História da Medicina do RS

03/05/2018 15:20

O público lotou o espaço destinado para a palestra sobre o e-book. Foto:Guilherme Tubino/Simres
O público lotou o espaço destinado para a palestra sobre o e-book. Foto:Guilherme Tubino/Simres
Na noite da última sexta-feira (27/04), o Museu de História da Medicina do RS (Muhm) sediou o evento gratuito de lançamento do livro eletrônico (e-book) “Do Tráfico ao Pós-Abolição: trabalho compulsório e livre e a luta por direitos sociais no Brasil”. O material, organizado pelas historiadoras Regina Xavier e Helen Osório, reúne coletânea de 17 historiadores de muitas partes do Brasil e foi elaborado a partir de discussões realizadas no 8º Encontro de Escravidão e Liberdade no Brasil Meridional, que ocorreu em maio de 2017, em Porto Alegre. Um convite para viajar através das complexas experiências sociais no período da escravidão e pós-abolição no Brasil. Esse é o tema central da publicação, que também sublinha a importância da imigração africana na história do Rio Grande do Sul. “O livro é uma iniciativa de historiadores dos três estados da região Sul que se reuniram para incentivar os estudos sobre a escravidão na região, pois havia aquela ideia de que o Sul era feito apenas de imigrantes europeus, sem a presença de africanos”, explica Helen. Em seus 17 capítulos, o livro também traz contribuições de professores da Bahia, Pernambuco, Ceará, Minas Gerais e outros Estados. Para as historiadoras, o livro também sugere um debate para reflexão diante do atual momento da sociedade. “Toda a discussão sobre escravidão, hoje, é embasada nas perspectivas conceituais da história. E se você não conhece a história, não consegue discutir as condições de trabalho que vivemos hoje”, afirma Regina. Segundo ela, isso dá vazão a “formas de precarização de trabalho, manifestações de racismo muito grande”. Nos capítulos da época pós-abolição, estudos retratam as formas de inserção dos escravos na sociedade brasileira e a luta por direitos. Dentro dessas pesquisas, surge o tema da Medicina. “Costumamos pensar a Medicina como uma prática científica apartada das terapêuticas populares. Na verdade, temos todo um conhecimento trazido pelos africanos de combate à varíola, por exemplo, que é importante para entendermos as diferentes formas de cura que tivemos no país. Por isso, também é muito importante o lançamento do livro aqui no Muhm”, salienta Regina.
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