Sindicato Médico do Rio Grande do Sul - Simers
A Luta

Precisamos falar sobre depressão pós-parto

01/03/2016 16:50

depressão_pós_parto_pixabay Uma publicação que repercutiu nas redes sociais nos últimos dias acendeu o debate sobre a depressão pós-parto. O desabafo de uma mãe sobre as dificuldades da maternidade na brincadeira chamada “Desafio da Maternidade” gerou polêmica e discussões sobre a condição. Ainda que não seja correto afirmar que essa mãe sofre com a doença, a exposição da sua opinião ampliou o diálogo sobre o assunto, tão pertinente diante da complexidade e gravidade da depressão pós-parto. De acordo com o chefe do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), Sergio Hofmeister Martins-Costa, a depressão pós-parto é caracterizada pelo surgimento de sintomas depressivos neste período. “A paciente sente-se muito triste, chora o tempo todo, mesmo sem motivo aparente, às vezes fica inapetente, outras vezes sem ânimo para sair e levantar da cama”, explica. Para Martins-Costa, durante o pré-natal já é possível verificar sinais de tristeza ou depressão. Nos Estados Unidos, um grupo de médicos especialistas em serviços preventivos propôs o rastreamento sistemático de doenças mentais na maternidade. A recomendação acompanha evidências que indicam a presença da doença em 13% das gestantes e entre 10 e 15% nas recém mães. “É importante que durante o pré-natal o médico esteja alerta para os sintomas. O histórico pessoal ou familiar de depressão deve ser valorizado, pois aumenta o risco de ocorrer depressão após o parto, que é o período de maior risco”, garante. Para isso, o papel do médico ginecologista e obstetra é fundamental. É ele quem deve diferenciar os quadros chamados de "blues" ou tristeza pós-parto, auxiliando a paciente a superar a fase. “Essa é uma condição muito comum, sem risco maior e que não precisa de medicação, mas sim de orientação. Os casos de depressão, ou mesmo de psicose puerperal, formam um quadro raro, mas muito mais grave. Havendo sinais de depressão se deve recorrer a especialistas nesta área. Alguns casos podem ser manejados por psicólogos e outros, que necessitam intervenções medicamentosas, por médicos psiquiatras”, esclarece. O especialista lembra também da importância da atenção dos familiares, principalmente por que é comum que sintomas associados a doenças psiquiátricas sejam confundidos com desleixo ou falta de vontade pessoal. Conforme Martins-Costa, é tarefa da família identificar sinais de mudança de humor e comportamento e procurar ajuda médica.

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