A Luta

Sem leitos, pacientes graves ficam até 11 dias em observação na UPA ZN

18/03/2016 23:59

superlotação-leitos Por falta de leitos em instituições de referência, pacientes em situação grave chegam a ficar até 11 dias em observação na Unidade de Pronto Atendimento Moacyr Scliar, a UPA Zona Norte, em Porto Alegre. Um destes casos é o de paciente que sofreu infarto e não pode ser transferido para um hospital. Os leitos de retaguarda para a unidade devem ser oferecidos pela prefeitura de Porto Alegre através do sistema AGHOS e, segundo a gestão da UPA, existe bastante dificuldade na transferência dos pacientes em menos de 24 horas. A vice-presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul, Maria Rita de Assis Brasil, esteve reunida com os médicos da unidade na quinta-feira (17) para tratar sobre o assunto. Conforme os profissionais, desde a semana passada não é possível transferir pacientes, que correm o risco de vir a óbito. Alguns casos chegam a ficar uma semana ou mais aguardando vaga. Outros dois pacientes renais também aguardavam há quase uma semana por atendimento com nefrologista. A preocupação dos médicos é garantir que relatos como esses não ocorram com a frequência que tem sido observada no cotidiano da unidade. Para isso, o ideal seria, além de estabelecer fluxos para solucionar a superlotação, com a garantia de vagas e leitos em instituições de grande porte, a contratação de pelo menos cinco médicos da área clínica e mais técnicos de enfermagem. Maria Rita alertou para a necessidade do cumprimento das resoluções do Conselho Federal de Medicina que definem 24 horas como o período máximo de observação em unidades de pronto-atendimento. O diretor técnico do Grupo Hospitalar Conceição, José Fossari, informou que é preciso efetuar melhorias urgentes para o remanejamento de pacientes. “Não queremos que o paciente em quadro grave fique aqui cinco, seis ou mais dias, como tem ocorrido. Como fazer isso? Estamos montando um documento com critérios de encaminhamento para o Hospital Conceição e outras instituições. A UPA não pode continuar assim e esta situação acontece por que estamos recebendo casos de atenção básica, secundária e terciária”, disse ele. Outra característica da unidade é receber a população de municípios que não dão vazão a sua própria demanda. É o caso de Alvorada, que possui uma UPA pronta, mas que ainda não está funcionando. “São muitos pacientes para poucos médicos. Já fizemos essa conta inúmeras vezes e ela não fecha”, lembra a vice-presidente do SIMERS.
Fossari (centro) conversa com Maria Rita e equipe da unidade
Fossari (centro) conversa com Maria Rita e equipe da unidade
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