Sindicato Médico do Rio Grande do Sul - Simers
A Luta

Sem receber salário há sete meses, médica faz greve de fome em SP

21/11/2016 16:19

O caos absoluto na saúde em todo o país provocou mais um episódio extremo. Em São Paulo, na cidade de Palmital, a médica Elisangela Sivieiro entrou em greve de fome, após meses sem receber seu salário. Segundo a profissional, ela e mais seis colegas das áreas de anestesiologia, pediatria, ortopedia, obstetrícia, clínica médica e cirurgia geral da Santa Casa tiveram o pedido de suspensão de serviços negado por um juiz da Comarca de Palmital. A atitude derradeira de Elisangela reflete a conjuntura da saúde, não só na sua região, mas em todo o Brasil. A crise que afeta todos os setores tem um efeito particular na saúde, serviço essencial a todos. No Rio Grande do Sul, o SIMERS tem identificado nos últimos meses casos de instituições que encerraram, estão prestes a suspender ou estão com restrições em seus serviços devido à falta de recursos. A situação é perturbadora. Sem receber por meses, médicos são forçados a paralisar suas atividades e acabam sendo responsabilizados pelo fechamento das instituições. A razão para tal medida, na verdade, é a falta de repasses ou a ineficácia na gestão de recursos que atrasa salários e remunerações de médicos e outros profissionais de hospitais. No Estado, o Sindicato Médico do RS (SIMERS) acompanha todos os movimentos e negocia com as direções dos estabelecimentos a regularização das pendências e os motivos que levam a essas situações – quando não há mais alternativa além de paralisação dos serviços. Para a entidade, os profissionais não podem ser os responsáveis por suportar a crise que afeta os hospitais no Estado e no país. Entenda o caso greveO grupo de sete médicos está desde junho deste ano sem receber salários, nem possui contratos formalizados com a Santa Casa de Palmital. Num ato de desespero, a médica gravou e publicou em uma rede social um vídeo no qual relata a situação e informa que não comerá até a revogação da liminar que obriga os profissionais a manterem as atividades, apesar de não receber por elas. Na manhã de hoje (21), Elisangela conversou com o SIMERS e contou que ela e os colegas são prestadores de serviço na instituição. “Fizemos um documento endereçado à administração da Santa Casa avisando que deixaríamos de prestar nossos serviços em uma semana. Avisamos também a promotoria, prefeitura e Conselho Regional de Medicina”, explica. Na notificação, o termo utilizado para expressar a vontade de romper vínculo com o hospital foi “suspensão das atividades”, em vez de rescisão contratual ou demissão – já que, de fato, não existem contratos formalizados. “Acredito que foi esse o viés utilizado pelo juiz para negar nosso pedido. Entregamos um novo documento solicitando então a rescisão contratual imediata, mas ainda estamos sob a liminar e não tivemos nosso pedido de revisão da decisão apreciado”, esclarece Elisangela. Conforme notícia do site G1, do dia 1º de novembro, os trabalhadores da Santa Casa de Palmital declararam greve devido à crise financeira e atraso nos pagamentos. A reportagem publicada na ocasião informou que no setor da pediatria todos os consultórios estavam vazios e na ala cirúrgica nenhum procedimento foi realizado, já que os médicos especialistas também paralisaram os serviços. “A gente chegou no consenso que se a Santa Casa não tem mais recursos para pagar nem os atrasados, nem os meses que vamos trabalhar daqui para frente, seria melhor interromper as atividades”, considerou Elisangela, ressaltando que nove médicos já pediram desligamento do hospital.    

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