A Luta

Tramandaí: SIMERS flagra UPA sem remédios e número insuficiente de médicos

11/01/2017 17:58

UPA Tramandaí operação litoral simers verão 2017 Foto Vlademir Canella Divulgação Simers
UPA tem falta de médico e de remédios, além de problemas em equipamentos. Foto: Vlademir Canella
O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (SIMERS) começou por Tramandaí, no Litoral Norte, a Operação de olho na Saúde no Verão 2017 para verificar as condições de atendimento. Nesta época do ano, a população duplica e até triplica nos municípios exigindo mais estrutura. Na estreia da ação, a entidade já constatou irregularidades no funcionamento da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), inaugurada em meados de 2016. Faltam medicamentos, equipamentos não funcionam e o número de médicos plantonistas é insuficiente. Além disso, os médicos, que são terceirizados, amargam atrasos no pagamento. Há turnos com apenas a metade do número exigido, dois em vez de quatro. A UPA faz 340 atendimentos por dia. A equipe do Sindicato Médico verificou também as condições de trabalho dos médicos e a infraestrutura existente em hospitais e postos de saúde. A entidade conferiu a situação também no Hospital Tramandaí e postos, incluindo em Imbé, balneário vizinho. No veraneio, a população em Tramandaí dobra, segundo a Fundação de Economia e Estatística (FEE). Em Imbé, a taxa aponta que o fluxo de pessoas triplica. O SIMERS alerta que é preciso aumentar a estrutura de serviços para atendimento. “Viemos conferir a qualidade do serviço, o atendimento à população e cobrar dos órgãos competentes que os direitos dos médicos sejam garantidos”, destaca o diretor do Sindicato, André Gonzales. Os médicos relataram ao Sindicato que, em poucos meses de funcionamento, já se registra falta de fármacos essenciais, como ácido acetilsalicílico, furosemida e noradrenalina. Também estão indisponíveis alguns tipos de exames laboratoriais e gasometria arterial. Equipamentos de eletrocardiograma e raio X ficam fora de funcionamento com frequência, relataram médicos e demais profissionais, segundo constatou o Sindicato Médico. “Não temos segurança nenhuma sobre o futuro, não sabemos quando vamos receber. É complicado atender em uma situação como essa”, afirma uma pediatra que trabalha no local. O SIMERS vai cobrar solução dos gestores do município.

Superlotação no Hospital Tramandaí

No Hospital Tramandaí, são atendidos 4 mil pacientes na emergência e 550 internações ao mês. Nesta quarta-feira, a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) estava lotada. Apesar do aumento do volume de pacientes neste período, a única reclamação dos médicos ficou por conta da dificuldade em conseguir ambulâncias para atendimentos eletivos.
Hospital Tramandaí Operação verão simers litoral 2017 foto Vlademir Canella Divulgação 2017
No hospital, diretor do Simers constata problema com ambulância. Foto: Vlademir Canella
No posto de saúde 24 horas de Imbé, o Sindicato Médico constatou deficiências na estrutura do prédio, já envelhecida e que precisa de atualização. Em dias de chuva mais intensa, ocorrem infiltrações na sala do raio X, o que exige que o equipamento fique fora de funcionamento para garantir a segurança dos funcionários. Outra melhoria necessária é a instalação de divisórias entre a recepção e a área onde ficam os usuários que aguardam atendimento. A preocupação é que, sem isso, em eventual situação mais tensa, haja alguma atitude violenta mais direta contra os profissionais. “O médico é a ponta que mais sofre. O que encontramos aqui são deficiências gerais do próprio sistema, assim como acontece em outras cidades litorâneas. É difícil gerenciar uma situação em que a realidade é uma de março a dezembro e outra completamente diferente de dezembro a março”, ressalta o médico Pedro Osvaldo Vaz, que atende no local há 12 anos.
SEGUROS