A Luta

UPA Zona Norte terá Unidade Móvel da Brigada Militar dentro do pátio

02/12/2016 16:28

Unidade Móvel da BM fica dentro do pátio da UPA

É antiga a luta do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (SIMERS) pela segurança nas unidades de saúde do Estado. Em Porto Alegre, a Unidade de Pronto Atendimento da Zona Norte (UPA ZN) é um dos locais que já foi palco de diversas cenas de medo e insegurança. Em março do ano passado ocorreu uma invasão que provocou a suspensão dos atendimentos. Com as demandas nesta unidade e em outros postos de saúde, o SIMERS e o governo do Estado criaram uma câmara temática para aumentar a segurança nestes espaços.

Para evitar novos casos, uma Unidade Móvel da Brigada Militar foi alocada dentro do pátio da UPA ZN, tanto para a segurança dos pacientes quanto para obstruir rotas de fugas de criminosos – uma reivindicação do SIMERS. Câmeras de vigilância também foram instaladas em todos os setores da Unidade de Pronto Atendimento.

SIMERS reúne-se com gestão da UPA ZN

Equipe do SIMERS acompanha a diretora Clarissa Bassin em reunião com o gestor da Upa Zona Norte
Equipe do SIMERS acompanha a diretora Clarissa Bassin em reunião com o gestor da Upa Zona Norte
O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul reuniu-se recentemente com os gestores da UPA Zona Norte a fim de verificar o andamento dos trabalhos da instituição. A Unidade de Pronto Atendimento presta serviço 24 horas por dia, nos sete dias da semana, atendendo três especialidades: clínica médica, cirurgia geral (ambulatorial) e pediatria. São cerca de 500 atendimentos por dia, mas o que era para suprir somente a demanda do eixo norte Baltazar, bairros Humaitá, Navegantes e Ilhas, passou a ser referência de outros municípios. “Vinte e cinco por cento dos pacientes são provenientes da Região Metropolitana e Interior. Já tivemos enfermos de Torres, Camaquã, Costa Doce e demais cidades do Litoral Norte. A demanda crescente é do município de Alvorada: 16% vem da cidade vizinha! Talvez seja pela localização geográfica”, ressaltou Daniel Lens Faria Corrêa, diretor clínico da Upa Zona Norte. Com uma tabela em mãos, Daniel mostrou números preocupantes quanto ao discernimento da população sobre quando ir para uma Unidade de Pronto Atendimento ou quando se deslocar para um Posto de Saúde. “Nos atendimentos que prestamos aqui, 76% dos casos NÃO são urgentes, ou seja, poderiam estar sendo atendidos nos postos de saúde. Isso significa que APENAS 24% dos pacientes que estão na UPA Zona Norte são pessoas que necessitam atendimento de urgência.

Tempo de espera para atendimento

A média dentro da Unidade é de 96 minutos para o paciente que chega na classificação de risco até o atendimento. Para quem busca auxilio de emergência, é prontamente atendido. Mas depende do quão grave é o estado de saúde:

  • Laranja / Muito Urgentes: atendimento ocorre em até 10 minutos. 
  • Amarelos / Urgentes: atendimento em até 50 minutos
  • Verde / Pouco Urgente: atendimento em até duas horas
  • Azuis / Não Urgente: atendimento em até quatro horas.
  • Leitos para transferência de pacientes

    Por lei, os pacientes deveriam ficar no máximo 24 horas em observação dentro da Unidade de Pronto Atendimento, mas eles acabam permanecendo mais tempo devido aos leitos de retaguarda, que são regulados pelo município – não dependem do GHC.

    Os pacientes que entram para a sala de observação e necessitam de internação são lançados em um sistema municipal, e ali ficam aguardando leitos. Nesse momento a UPA deixa de ter poder de quanto tempo essa pessoa pode esperar.

    Mas a média na sala de observação é acima do que deveria: 1,7 pacientes adultos. Segundo o gestor Daniel, o município não fornece leitos. “Cinquenta e cinco por cento dos pacientes que ficam aqui recebem alta. Vinte e sete por cento são transferidos via central de leitos do município e 9% são pelo Hospital Conceição.  Metade dos nossos leitos de que são oferecidos de retaguarda são do Hospital Vila Nova, e quando a gente comunica para eles que temos leitos no Vila Nova, eles não querem ir, preferem ficar na observação da UPA, seja porque acreditam que a UPA vai oferecer um tratamento adequado, ou também a distância pode influenciar”, destaca Daniel.

    Como a UPA é gerenciada pelo GHC, muitos acreditam que a transferência de internação se daria direto para o Hospital Conceição. A Unidade de Pronto Atendimento da Zona Norte está encaixada na Rede Municipal de Urgências e vai respeita a “fila” e urgências dos pronto-atendimentos.

     A Rede abrange, basicamente, o Hospital Vila Nova, Beneficência Portuguesa e alguns leitos do Ernesto Dorneles.

    Quadro de médicos

    Ao todo, são 46 médicos, sendo oito cirurgiões, 12 pediatras e 26 médicos clínicos. Desses 26 médicos clínicos, 14 tem formação em medicina comunitária e 11 tem formação em clínica médica ou emergência.

    Para 2017, existe a possibilidade de o quadro médico ser reforçado com clínicos emergencistas, por existir um déficit de oito médicos para cobrir férias e atestados. A solicitação foi encaminhada para a direção do Grupo Hospitalar Conceição. Segundo informações de Daniel, três médicos serão remanejados imediatamente e outros 5 em 2017.

    Estrutura do prédio

    Uma grande reclamação dos profissionais da saúde ao Sindicato Médico diz respeito a falta de uma sala para estudos de casos. “Estamos analisando a hipótese de colocar um contêiner para contemplar esse pedido dos médicos”, garantiu Daniel. O prédio da UPA Zona Norte pertence à Prefeitura de Porto Alegre e tem contrato até 2018. Aos cuidados do Grupo Hospitalar Conceição estão o fornecimento de gestão e recursos humanos.

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