A Luta

Vacina contra HPV: por que não vacinar os meninos?

06/04/2016 15:32

injection-519388_1280 Começou no dia 3 de abril, em todo o Brasil, a campanha de vacinação contra o HPV em meninas de nove a 13 anos. O Ministério da Saúde planeja imunizar 80% do público alvo até dia 15 de abril. A vacina é utilizada para prevenção do papilomavírus humano, uma das principais causas do câncer de colo de útero. Mas por que vacinar apenas as meninas? Isso é o que questionou o médico virologista alemão Harald zur Hausen - laureado com o prêmio Nobel de Medicina de 2008 por ter descoberto a relação entre o papilomavírus humano (HPV) e o câncer do colo do útero. “Se vacinássemos somente os meninos, provavelmente preveniríamos mais casos de câncer do colo do útero do que vacinando somente meninas”, disse zur Hausen durante entrevista em evento científico que participou em São Paulo no último dia 26. Para a presidente da Sociedade Riograndense de Infectologia, Lessandra Michelim Rodriguez N. Vieira, a opção pelo Programa Nacional de Vacinação do HPV iniciar por meninas foi baseado na possibilidade de garantir o fornecimento de vacinas para a população com risco de desenvolver câncer de colo de útero relacionado ao HPV. “Temos a vacina quadrivalente para HPV para meninos na rede privada. A estratégia de iniciarmos pelas meninas é uma tática de saúde pública que atende a realidade brasileira para garantir o fornecimento, pois se também incluíssemos todos os meninos num primeiro momento, poderíamos vivenciar a falta de vacina”. Lessandra também é a favor dos meninos serem vacinados, pois eles podem transmitir o HPV. “Protegendo meninos, estaremos protegendo mais meninas, pois a adesão à vacina está inferior do que imaginávamos.” “A questão de estarmos atrasados é na realidade sobre o pensamento de que não devemos vacinar as meninas e meninos, de que eles não precisam dessa vacina, de que essa vacina estimula sexualidade ou de que ela tem efeitos adversos perigosos. A própria Organização Mundial de Saúde orienta a utilização dessa vacina, garantindo sua eficácia e segurança. Certamente as pessoas que boicotam ou não levam os seus filhos para vacinar contra o HPV nunca vivenciaram uma pessoa morrendo de câncer de colo de útero, uma doença que acomete milhares de mulheres jovens no Brasil e uma doença totalmente prevenível com a vacina. Espero que possamos mudar logo esse pensamento e que consigamos prevenir o HPV não só em crianças, como em todas as faixas etárias e ter uma população mais saudável”, conclui Lessandra.
SEGUROS