A Luta

Violência na saúde: números que assustam

03/05/2018 15:57

O mês de abril termina com uma marca negativa: foram quatro episódios de violência relacionados a unidades de saúde no Rio Grande do Sul. As ocorrências foram as mais variadas, desde fogo ateado em um pronto atendimento até médica agredida por paciente. Elas revelam um cenário de insegurança já denunciado pelo Simers e que coloca profissionais em risco no seu próprio ambiente de trabalho. As consequências chegam também à população. Há menos de um ano, quatro médicos atuavam na Unidade Básica de Saúde (UBS) Aparício Borges, em Porto Alegre. Hoje, são apenas dois – os demais desistiram de atender no local por conta dos constantes furtos e assaltos.

Busca por soluções

O combate à violência é bandeira antiga do Simers, que tem cobrado medidas de segurança capazes de garantir mais tranquilidade aos médicos e pacientes atendidos. O Pronto Atendimento Bom Jesus (PABJ), localizado em uma área com histórico de conflitos, é exemplo de como essa realidade pode ser alterada quando o assunto recebe a atenção devida. A partir da mobilização gerada pelo episódio em que uma bala perdida entrou por uma das janelas do PABJ, durante o período de carnaval de 2017, inúmeras medidas de segurança foram adotadas. “Reivindicamos que fosse criado um sistema de proteção e muita coisa já mudou”, ressalta o diretor do Simers Fábio da Silva Gatti, que atua como médico no local. Além da colocação de malhas de aço nas janelas, os porteiros ganharam rádios de comunicação interligados com o Centro Integrado de Comando da Cidade de Porto Alegre (CEIC). A comunicação com a Brigada Militar e Guarda Municipal agora também é direta. Além disso, o PABJ também passou a integrar o plano de Acesso Mais Seguro, ligado ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha Internacional. A partir dele, os trabalhadores recebem treinamento sobre como agir situações de risco, evitando a exposição e garantindo o menor impacto possível. Para a médica Cláudia de Miranda Munhoz, coordenadora geral da unidade, as mudanças fizeram toda a diferença. “Sabemos que resolver em definitivo os problemas de violência é algo complexo e amplo, mas agora temos protocolos claros a seguir, que privilegiam a visão de quem está na linha de frente”, explica. O desafio agora é replicar o exemplo. Em outras unidades de Porto Alegre, o Simers já formou grupos de trabalho para discutir as questões de segurança e buscar medidas específicas para cada realidade. É o caso do Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul (PACS) e da Lomba do Pinheiro (PALP).

Como agir?

Desde 2014, o Simers já tomou conhecimento de 92 registros de violência ligados à saúde – pelo medo da exposição, outros tantos nem chegam a ser notificados. Em um momento que é de desespero e emoções afloradas, é importante saber como agir. Infográfico violência
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