Dia das Crianças: filhos que transformam médicos em pais
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Dia das Crianças: filhos que transformam médicos em pais

No 12 de outubro, Dia das Crianças, o Simers homenageia os pequenos e os médicos que ao se tornarem pais alteram suas rotinas para poder acompanhar o desenvolvimento de seus filhos e colocar em práticas os ensinamentos que passam aos seus pacientes.

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11/10/2022 10:15

Casal Guilherme Peterson, Cirurgião Pediátrico, e Ana Paula Vargas Peterson, Anestesisiologista, pais das gêmeas Helena e Alice, de 11 meses

Neste 12 de outubro, Dia das Crianças, o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) homenageia a todos os pequenos que transformam para melhor a vida dos seus pais e núcleos familiares, criando uma nova dimensão e natureza para a afetividade entre essas pessoas. O bebê, e posteriormente a criança, exigem muita doação ao seu entorno, alterando paradigmas e rotinas. Recebem muito amor e carinho, na forma de sentimentos ressignificados, e exigem dedicação e disponibilidade quase que permanentes. Carreiras e profissões que mereciam quase 100% de atenção agora dividem espaço com mamadeiras, fraldas, papinhas e alimentação saudável, além de noites em claro. Médicos que cuidam e orientam seus pacientes transformam-se em pais e passam a colocar em prática mais pessoal e próxima a arte do cuidado.

 

As atribuladas rotinas de plantões, cirurgias e consultas exigem mudanças para que os profissionais estejam presentes no funcionamento diário de seus filhos. Este é o exemplo do casal Guilherme Peterson, Cirurgião Pediátrico, e Ana Paula Vargas Peterson, Anestesisiologista, pais das gêmeas Helena e Alice, de 11 meses. “Reduzi a minha disponibilidade em estar de sobreaviso nas cirurgias, para estar mais presente em casa e acompanhar a rotina das minhas filhas”, explicou Guilherme.

 

A esposa vai na mesma direção, com redução de carga horária na Medicina para dar conta dos dois bebês. “Precisamos estar com elas e dar atenção com qualidade, e ainda mais já que são gêmeas!”, evidenciou. Os dois destacaram que outra mudança foi a interatividade maior com os responsáveis pelos pacientes, por compreenderem com profundidade o que significa a angústia dos Pais ao estarem com os filhos, e especialmente crianças, em procedimentos no hospital.

 

O médico pediatra Daniel Woff Sauer, coordenador do Núcleo de Pediatria do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul, é casado com a médica do Trabalho Luiza Linck Andretta e juntos, são pais do Eduardo, seis anos. Ele concorda com a necessidade de rever e alterar a rotina de trabalho. "A gente procura dedicar bastante tempo ao nosso filho, com várias atividades, pois sabemos que crianças precisam deste tempo para desenvolver suas habilidades. Entre os programas juntos, estão: brincar com os cães, pescar e viajar", destaca Sauer. Ele observa que a família mora em uma casa com pátio, um ambiente que se assemelha ao de uma cidade do interior. "Eu e minha esposa conseguimos tratar o ambiente e dedicar um  tempo exclusivo ao nosso filho. Como médico, pediatra e pai é uma alegria poder ajudar o Eduardo em suas necessidade e deixar ele ciente que quando saímos, estamos indo ajudar outras pesoas", diz.

 

Casal Daniel Wolff, Pediátra, esposa Luiza Andretta, médica do Trabalho, e o filho Eduardo, com seis anos

 

Adequação no planejamento

 

Para o casal Júlio Venzo e Karoline Roberti Venzo, a realidade é semelhante com a chegada da Rafaela, hoje com 6 meses. “Houve adequação quanto ao planejamento de atividades com a chegada da nossa filha”, afirmou o Anestesiologista Júlio Venzo, que deixou de fazer plantões noturnos a partir da chegada de Rafaela. A esposa, Coloproctogista, também readequou ações profissionais com o novo cenário de necessidades da filha, principalmente à noite.

 

“A vida de médico já exige dedicação e amor ao próximo de forma constante. Quando soma-se a maternidade e paternidade a esta rotina, incialmente passamos por momentos de exaustão, confusão, privação de sono, afastamento do trabalho. Nos tornamos momentaneamente mais mães e pais e menos médicos -principalmente quando se trata do nosso próprio filho - até que consigamos nos adaptar e aprender a unir essas duas missões”, destaca Karoline Venzo. A rede de apoio familiar, explica Karoline, “facilita muito a retomada das atividades laborais e para a nossa felicidade podemos contar muito com a nossa família”.

 

Casal Júlio Venzo, Anestesiologista, e Karoline Roberti Venzo, Coloproctogista, com a Rafaela

 

Se para o casal o crescimento da família já impacta, imagina para quem enfrenta sozinha esta nova fase. Esta foi a escolha da Psiquiatra Graziela Stein, cuja dedicação total é para Conrado, de 1 ano e 4 meses. “Entendo que ser médica e ser mãe/pai simultaneamente talvez sejam os papéis mais abençoados e de maior responsabilidade que alguém pode ter", avalia. Segundo Graziela, “isso significa estar quase que permanentemente focada e priorizando o outro, e, com isso, quase não sobra tempo para si. É um desafio gigantesco”.

 

A psiquiatra acrescenta que essa dádiva de cuidar, compartilhada por médicos e pais, traz um constante recebimento de emoções positivas nas relações, contemplando o ônus da falta de tempo, do “se deixar para o último plano”. Mas alerta: “é preciso se policiar para não nos abandonarmos e cuidarmos de nós mesmos de forma mais próxima da que cuidamos dos demais”, concluiu.

 

A Psiquiatra Graziela Stein e o Conrado

Tags: Medicina Médicos Dia das Crianças

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