Na manhã desta quinta-feira, 19, o diretor e coordenador do Núcleo de Psiquiatria do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Ricardo Nogueira, participou da segunda audiência pública realizada na Assembleia Legislativa do Estado (ALRS) para debater os impactos das apostas esportivas na saúde mental e financeira das famílias gaúchas. A sessão foi proposta pelo deputado estadual Tiago Simon, que é autor de um projeto de lei que visa limitar a publicidade de plataformas de apostas esportivas no Rio Grande do Sul.
Durante o evento, foram discutidos aspectos como o estímulo à ludopatia — o vício em jogos de azar, reconhecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um transtorno mental crônico caracterizado pela compulsão incontrolável de jogar. Também foi debatido o impacto socioeconômico das bets nas famílias, que perdem a renda, endividando-se.
Outro aspecto abordado foi a conexão afetiva entre as bets e o esporte, uma vez que elas são divulgadas nos intervalos dos jogos. Além disso, foi apontado que o superendividamento promovido pelos jogos de azar comumente se torna o motivador para o suicídio.
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Nogueira fez uma análise da relação entre o elevado índice de feminicídios registrados no Rio Grande do Sul e o adoecimento mental da população. Ele apontou que a principal causa dos crimes são as separações que, quando não são superadas pelo homem, culminam no assassinato da mulher. Muitas dessas separações acontecem em razão do endividamento por conta de jogos de azar e, em muitos casos, após cometer um feminicídio, o agressor tira a própria vida. O diretor do Simers critica a falta de leis que regulamentem a atuação das bets e defende mais políticas públicas.
“Em vez de nos preocuparmos com uma política de saúde pública que preserve o núcleo central da vida, que é a própria família, nós fazemos políticas arrecadatórias. E que, na verdade, essa política não é arrecadatória, mas predatória da vida, da saúde das pessoas e da saúde econômica do próprio Estado”, disse o diretor.
Nogueira relatou casos clínicos de compulsividade e de pacientes que abandonaram o trabalho para se dedicar ao jogo, motivados pela frustração econômica e pela ilusão de ganhos fáceis.
“É preferível viver com a mais dura das realidades, do que estimular os melhores falsos sonhos. Nós não podemos, como médicos, estimular a doença. Tudo aquilo que é predatório, que não são hábitos saudáveis, mas hábitos nocivos, nós não podemos aceitar. O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul, que luta em defesa da saúde, não pode aceitar esse tipo de situação”, finalizou Nogueira.
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