Operação Litoral Norte aponta falta de pediatras e ausência de segurança em postos
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Operação Litoral Norte aponta falta de pediatras e ausência de segurança em postos

Terceira etapa da ação, que foi conduzida pelas conselheiras do Simers, Denise Affonso e Cristiane Ribas, percorreu postos de Xangri-lá, Capão da Canoa, Arroio do Sal e Torres

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16/03/2026 13:29

O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) realizou, nos dias 12 e 13 de março, a terceira etapa da Operação Litoral Norte, dando continuidade às visitas em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e Estratégias de Saúde da Família (ESFs) da região. A ação teve como objetivo ouvir os médicos e verificar as condições de trabalho na atenção primária. A operação foi conduzida pelas conselheiras do Sindicato, Denise Affonso e Cristiane Ribas, que visitaram os serviços de saúde ao lado das assessorias jurídica e de relações governamentais da entidade médica.

Na quinta-feira, 12, as equipes percorreram os postos de Xangri-lá, Capão da Canoa e Arroio do Sal. Na sexta-feira, 13, foi a vez das unidades de Torres que ainda não haviam recebido a comitiva. Em parte das unidades visitadas não havia pediatra e em diversos postos não havia profissionais atendendo nas datas da ação. As agressões verbais e ameaças recorrentes foram alguns dos principais tópicos abordados pelos médicos.

Em Xangri-lá, a ESF Centro foi um dos locais em que os profissionais relataram sofrer agressões verbais frequentes quando os pacientes têm alguma solicitação negada. O posto abrange cerca de 6,9 mil pessoas e é um dos poucos que têm vigilante. A média de atendimentos, segundo os profissionais, é de oito a 10 atendimentos por turno. Ao todo, o posto conta com três médicos clínicos gerais que atuam em escalas. O município dispõe de um ginecologista que atende uma vez por semana, intercalando entre os postos da cidade. Os médicos são terceirizados na modalidade sócio-cotistas pela empresa Promed. 

Na ESF Figueirinha, os profissionais relataram que a média diária é de 20 consultas por dia. No local, atuam um clínico geral, que é concursado, uma nutricionista, uma enfermeira e duas técnicas. Não foram relatados problemas com agressão ou falta de medicamentos. No Centro de Especialidades não havia médico atendendo na manhã de quinta-feira.
Durante as visitas, foi mencionado que entre os municípios da região com problemas de gestão estão as cidades de Terra de Areia, Três Forquilhas e Itati. 

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Capão da Canoa
Nos postos de saúde visitados no município, os médicos relataram que os salários estão em dia, porém apontaram limitações nas condições de trabalho. Entre os principais problemas estão o tamanho reduzido dos consultórios, a ausência de pia em alguns espaços e aparelhos de ar-condicionado instalados que não estão funcionando. Também houve queixas sobre a falta de instrumentais adequados, o que limita a realização de mais procedimentos pelos profissionais. 

Outro ponto destacado foi a demanda da região de praias pertencentes ao município, que sofre com a ausência de um Pronto Atendimento (PA), obrigando pacientes a se deslocarem até centro de Capão.

Arroio do Sal
Em Arroio do Sal, a primeira unidade visitada foi a ESF Centro José Elton Castro Cardoso. Com um prédio novo, recém-reformado, a unidade dispõe de quatro médicos ao todo. Na tarde de quinta-feira, quem estava atendendo era uma médica da família, integrante do Programa Mais Médicos. Uma das clínicas gerais tem foco em atendimento às gestantes e a outra atua também na puericultura. A unidade não tem pediatra. A área de abrangência gira em torno de 6,5 mil pessoas. O posto não tem vigilante nem câmera de videomonitoramento e o consultório não tem rota de fuga para o médico em uma situação de agressão, o que gera sensação de insegurança nos profissionais. A média de atendimentos gira em torno de 12 consultas por turno.

A comitiva do Simers também esteve na ESF Figueirinha, localizada no bairro de mesmo nome, onde não havia nenhum médico atendendo na quinta-feira. Foi apurado que o posto conta com médicos pelo menos duas vezes na semana. Na sequência, a equipe foi até a UBS Bom Jesus, onde foi informada de que duas médicas atendem três vezes por semana; contudo, na quinta-feira não havia nenhum médico atendendo no local. 

Já na ESF Balneário Atlântico havia uma clínica geral atendendo na quinta-feira à tarde. Ao todo, são dois profissionais terceirizados que atuam no posto em escalas. A unidade é referência para 2 mil pessoas e não tem pediatras. A média é de 20 consultas por dia. O local não conta com câmera de segurança na portaria nem vigilante. Segundo relatos, durante o verão houve caso de ameaça grave, que necessitou de intervenção da Brigada Militar. 

Durante as visitas, também foram mencionadas dúvidas em relação ao acesso a serviços especializados e ao tempo de espera para consultas, o que pode impactar, principalmente, no atendimento de crianças. A falta de especialidades médicas, como neurologia, também foi citada de forma recorrente pelos profissionais.

Torres
Na manhã de sexta-feira, a equipe do Simers deu início às agendas em Torres. A primeira visita foi feita na ESF São Jorge, que abrange cerca de 4 mil pessoas. A média de atendimentos gira em torno de 20 por dia. A equipe é composta por dois clínicos e um pediatra que atende duas vezes por semana. O posto tem câmera de videomonitoramento. Há registro de falta de medicamentos para urgências. Os profissionais são terceirizados pela empresa Elo. 

Na sequência, a equipe se deslocou até a ESF José de Oliveira Santos. O prédio tem paredes com rachaduras, infiltrações, falta de manutenção e não tem saída de emergência. No posto, há dois clínicos gerais e dois pediatras atuando em dois turnos. A população de abrangência fica em torno de 3,8 mil pessoas. O local tem câmera de segurança, mas não tem porteiro. Os médicos são contratados pela empresa Elo, que vem atrasando os salários. Alguns médicos relataram perdas financeiras associadas a feriados e mudanças na forma de pagamento, sem clareza sobre os critérios adotados.

Diante dos relatos, o Sindicato vai encaminhar ofícios à gestão municipal e buscar reuniões tanto com a prefeitura quanto com a empresa responsável para esclarecer as condições contratuais e discutir melhorias nas condições de trabalho.

Operação concluída com sucesso 
A conselheira do Simers, Cristiane Ribas, comenta que, a partir da operação, foi possível observar as diferentes realidades dos postos de municípios do Litoral Norte. 
“Capão da Canoa, por exemplo, está melhor estruturada para receber os usuários em termos de exames. Essa foi uma queixa que poucos tiveram, pois eles têm mais acesso. Eles têm pediatras, dermatologistas e mais especialidades de apoio que os demais municípios visitados. Outra coisa que me chamou bastante a atenção foi a presença do RT atuante, que estava atendendo em uma das unidades e nos recebeu superbem”, comenta.

Para a conselheira Denise Affonso, um dos destaques da operação foi a forma positiva com que o Sindicato foi recebido, apesar das dificuldades estruturais de alguns postos e dos desafios enfrentados pela categoria.

“Encontramos muitos médicos jovens que, na maioria dos casos, não são concursados, mas terceirizados e com problemas nos honorários. Isso prejudica a longitudinalidade que, na atenção primária, representa o cuidado contínuo, com vínculo e responsabilidade ao longo da vida”, aponta.

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Tags: Litoral Norte Atenção Primária à Saúde Núcleo de Pediatria do Simers Núcleo de Medicina de Emergência

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