Sem acordo no TRT, paralisação nos hospitais está mantida na Capital
A Luta

Sem acordo no TRT, paralisação nos hospitais está mantida na Capital

Terminou sem acordo a audiência de conciliação realizada nesta terça-feira, 8, na sede do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT4) em Porto Alegre, entre médicos e demais trabalhadores da saúde e o Sindicato de Hospitais e Clínicas da...

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08/11/2016 18:31

Terminou sem acordo a audiência de conciliação realizada nesta terça-feira, 8, na sede do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT4) em Porto Alegre, entre médicos e demais trabalhadores da saúde e o Sindicato de Hospitais e Clínicas da Capital (Sindihospa). Dessa forma, as categorias confirmam a paralisação nesta quarta (9) e quinta-feira (10), numa luta para assegurar pelo menos a reposição da inflação acumulada de 12 meses. Uma nova audiência de conciliação está marcada para 18 de novembro, às 14h, também no TRT. O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (SIMERS) estará acompanhando o movimento nestaquarta-feira (9), às 8h30min, na frente do Hospital Conceição, em Porto Alegre.
Reunião no TRT Paulo de Argollo mendes simers foto crédito joão Mattos/Divulgação/Simers
Argollo destacou que trabalhadores perdem sem reajuste total. Foto: João Mattos/Divulgação/Simers
Na audiência, conduzida pelo vice-presidente do TRT4, desembargador João Pedro Silvestrin, o Sindihospa, que representa as instituições hospitalares, apresentou uma nova proposta de reposição salarial. Além dos 3,5% de reajuste a partir de junho e de 1,5% em novembro, foi adicionado 1% a partir de janeiro de 2017, totalizando 6%. A proposta foi rechaçada pelas categorias profissionais, que decidiram manter a greve de 48 horas, com garantia de um mínimo de 30% nos atendimentos. O desembargador solicitou aos sindicatos das categorias de trabalhadores que façam uma “trégua” na greve entre os dias 11 e 18 de novembro, quando uma nova proposta deverá ser apresentada pelo Sindihospa. A decisão sobre se a greve será mantida nesse período será tomada em assembleia conjunta, marcada para esta sexta-feira, dia 11 de novembro, às 13h. O presidente do SIMERS, Paulo de Argollo Mendes, justificou a greve diante da falta de reposição salarial e disse que os trabalhadores da área da saúde já estão sobrecarregados. “Estão nos tirando o sangue. Não há mais espaço para que se possa suportar que ainda se retire parte do dinheiro que por direito nos cabe. Estamos com espírito de colaboração e queremos manter a negociação, mas teremos que ser muito duros caso não haja entendimento”, afirmou.
Reunião no TRT maria rita de assis brasil foto crédito joão Mattos/Divulgação/Simers
Maria Rita preveniu que as categorias estão mobilizadas. Foto: João Mattos/Divulgação/Simers
A vice-presidente do SIMERS, Maria Rita de Assis Brasil, considerou insuficiente a proposta apresentada pelas instituições. “A categoria está organizada no sentido da paralisação. Não temos dúvida de que existe possibilidade de que a patronal pode nos proporcionar recuperação salarial um pouco melhor dos valores perdidos ao longo do ano. Estamos vendo hospitais investindo em melhorias e ampliações, o que indica uma saúde financeira evidente”, disse. Segundo Maria Rita, não são os trabalhadores que devem responder por alguma dificuldade criada no país por conta da crise.

Entenda o caso

Os estabelecimentos abrangidos pela negociação e que serão atingidos pela paralisação somam 60% dos leitos totais de internação e 66% das vagas do SUS na Capital, informou o SIMERS. Na Região Metropolitana, a fatia é de 40%. Grandes hospitais como os do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) e Clínicas serão atingidos. Desde julho, data-base do setor, busca-se a reposição da inflação acumulada, mas o sindicato patronal oferece pouco mais da metade do índice. A reposição da inflação anual soma 9,5% no caso dos médicos. O Sindihospa sequer acenou com a garantia da aplicação integral do INPC para revisão de 2017. Até agora, a oferta foi de 5% de reajuste escalonado. A definição sobre fazer a paralisação foi tomada há duas semanas em plenária unificada de todas as categorias. Os médicos confirmaram a decisão em assembleia na quinta-feira passada (3/11). Os hospitais somam 5,4 mil médicos, 41% do total de profissionais da área atuando na Capital.

Participação dos hospitais ligados ao Sindihospa na rede de atendimento:

  • São 12 hospitais em Porto Alegre: 5.061 leitos (sendo 3.490 leitos do SUS)
  • 60% dos leitos totais de Porto Alegre (que tem 8.328 vagas totais - privados e SUS)
  • 66% dos leitos SUS em Porto Alegre (que tem um total de 5.284 vagas pelo SUS)
  • Região Metropolitana:leitos totais e SUS dos hospitais respondem por 40% da oferta, ou seja, de cada 10 leitos (SUS ou não SUS), 4 estão nos hospitais da convenção Sindihospa
  • Rede estadual:os leitos representam 15% da oferta de leitos totais e SUS
  • Hospitais que aderiram ao movimento:

    Grupo Hospitalar Conceição (hospitais Fêmina, Cristo Redentor, Conceição e Criança Conceição) Hospital de Clínicas de Porto Alegre Hospital Ernesto Dorneles Hospital Parque Belém
    Tags: Greve Porto Alegre Paralisação Sindihospa hospitais

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