O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) participou, nesta terça-feira, 14, da reunião do Conselho Distrital de Saúde (CDS) Nordeste, em Porto Alegre. O encontro, que contou com participação da conselheira do Simers Denise Affonso, reuniu representantes de unidades de saúde, profissionais, usuários e lideranças da região. O principal foco da discussão foi a situação da saúde mental na rede de Atenção Primária.
Durante a reunião, representantes das unidades relataram aumento das demandas por atendimento e falta de profissionais. Na Unidade Wenceslau Fontoura, foi apontada a necessidade de ampliar o número de psiquiatras e psicólogos, além da escassez de profissionais como educadores físicos e fonoaudiólogos. Segundo os relatos, as equipes do eMulti (Equipes Multiprofissionais na Atenção Primária à Saúde) também não conseguem absorver toda a demanda.
Uma das representantes afirmou que houve aumento nas tentativas de suicídio e que, diante do número reduzido de profissionais, as equipes precisam priorizar os casos considerados mais graves. “Os trabalhadores estão se desdobrando em vários para dar conta da grande demanda que temos”, relatou.
Na Unidade Jardim da Fapa, também foram relatadas falta de psiquiatra e de fonoaudiólogo. Outro relato apontou que o território, com cerca de cinco mil pessoas, conta com apenas um profissional para os atendimentos de saúde mental.
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A rotatividade dos profissionais foi outro problema destacado pelos participantes. Segundo os conselheiros, as mudanças frequentes prejudicam o acompanhamento dos pacientes e a criação de vínculos com as equipes. “Ninguém mais tem saúde mental para trabalhar”, afirmou uma das participantes.
Durante o encontro, representantes da Secretaria Municipal da Saúde informaram que, a partir de outubro, devem ser abertas duas novas unidades de atendimento em saúde mental para crianças e adolescentes: o Capsi Leste, que deve absorver atendimentos do Partenon, e o Capsi Casa Harmonia, voltado para a Lomba do Pinheiro, Glória, Cruzeiro e Cristal. O Capsi Supimpa, do Hospital de Clínicas, deverá concentrar o atendimento nas regiões Leste e Nordeste. As novas unidades devem contar com leito de crise.
Participação do Simers
A conselheira do Simers Denise Affonso reforçou a preocupação com a dificuldade de acesso às unidades e a necessidade de acompanhar de perto a realidade dos profissionais. “Cada vez piora mais. A gente não consegue entrar nos postos, não consegue falar com os colegas e, assim, não consegue saber direito o que está acontecendo lá”, questionou.
Denise também destacou a obrigação de discutir os impactos da falta de profissionais na assistência à população. “A gente já aceitou muito esse desmanche da psiquiatria em Porto Alegre. Temos que ver o que vamos fazer, porque a população merece um atendimento de qualidade”, afirmou.
Além da saúde mental, os conselheiros relataram problemas relacionados à gestão das unidades, como alta rotatividade de profissionais, mudanças de cargos de gestão e dificuldades trabalhistas. Também foram mencionados casos de profissionais sem receber vale-transporte, sem contrato assinado e com restrições para utilizar a estrutura das unidades – como limitação para usar o gás de cozinha para alimentação.
O Simers reforçou a importância da participação nos Conselhos Distritais de Saúde e da escuta de profissionais e usuários que vivenciam a rotina dos serviços. A entidade também destacou aos participantes as dificuldades enfrentadas pelo Sindicato para realizar visitas às unidades e conversar diretamente com os médicos.
CDS Noroeste
No mesmo dia, o Sindicato também participou da reunião do CDS Noroeste, na Clínica da Família IAPI. Na ocasião, foram discutidas a participação dos conselheiros, a fiscalização da troca de gestão e a reforma e reestruturação do prédio. Também foram relatados problemas de segurança no entorno da unidade, com registros de assaltos, furtos de bicicletas e vandalismo em veículos de profissionais.
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