Violência contra as mulheres: É preciso dizer basta!

Violência contra as mulheres: É preciso dizer basta!

No mês das mulheres, médicas são agredidas nas cidades de Uruguaiana e Santa Cruz do Sul

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28/03/2025 17:53

Na contramão de toda exaltação merecida ao gênero feminino num período dedicado a elas, estamos vivenciando nos últimos dias a violência contra as mulheres estampada nas capas de jornais. As águas de março, que deveriam fechar o verão, como já dizia Tom Jobim, se tornaram lágrimas de indignação, dor e desespero. Além das mães que perderam seus filhos por “vingança”, na saúde tivemos casos de profissionais agredidas verbal e fisicamente.

Em meados de março, na cidade de Santa Cruz, uma médica foi atacada por um paciente que queria obrigá-la a emitir um laudo sem agendamento de horário prévio. O caso ocorreu justamente em meio a campanha lançada pelo Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) “Quando uma médica é agredida, todo o sistema de saúde é atingido”. A profissional atuava no Estratégia da Saúde da Família (ESF) Glória, no bairro Vitória, na periferia da cidade, desde setembro de 2024, pelo programa Mais Médicos. Segundo a coordenação da unidade, o paciente cadeirante frequentava o local há bastante tempo e conhecia a rotina da unidade, mas ficou indignado diante da necessidade de agendamento de consulta para avaliação médica e aquisição de laudo. Ele acabou invadindo o consultório e lançando uma cadeira contra a médica, que teve sua mão lesionada. A profissional foi ainda agarrada e impedida de sair da sala. O paciente abandonou a unidade através de um acesso restrito a funcionários e ameaçou retornar ao local.

Outro caso que causou indignação da comunidade médica e da população aconteceu na noite desta quinta-feira, 27, na UPA 24h de Uruguaiana. Durante um atendimento, uma médica foi agredida por uma paciente que, inicialmente, demonstrava insatisfação com a reavaliação de sua filha. Infelizmente, a situação escalou para agressões verbais e, de forma inaceitável, culminou em agressões físicas, com tapas desferidos contra a profissional.

Conforme o presidente do Simers, Marcelo Matias, a violência acontece, na maioria das vezes, porque a população se sente fragilizada por enfrentar filas e ter que esperar pelo atendimento. O paciente acaba, muitas vezes, descontando no médico, assim como nos demais profissionais de saúde, suas frustações. “Este tipo de violência deveria ser corretamente punido pela Justiça”. A falta de segurança na saúde, segundo Matias, também facilita a agressão. “Os profissionais da saúde estão expostos, largados e sem uma proteção adequada”, observa.

No processo de compreensão do ciclo da violência, a psiquiatria desenvolve um papel fundamental. Conforme o Ricardo Nogueira, médico psiquiatra e diretor do Simers, estamos presenciando uma raiva, que quando não é denunciada é enaltecida. “Este sentimento muitas vezes é oriundo do abandono, da rejeição e da humilhação. Isto é o que nós temos que evitar, pois estes três elementos são as causas de muitas patologias e do sofrimento psíquico”, disse. Nogueira acrescenta que a sociedade deve nutrir, desde o princípio, a importância do respeito a quem nos deu a vida. “A mulher é a origem de tudo. É ela que procria e que nos ensina o que é certo e o que é errado”, conclui.

O Simers está sempre alerta para defender os médicos e tem um telefone de plantão 24 horas para prestar auxílio e receber denúncias. Basta ligar para o 08005102569.

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