O presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Marcelo Matias, participou nesta quinta-feira, 21, do XVIII Congresso Gaúcho de Atualização em Pediatria, realizado no Centro de Eventos do BarraShoppingSul, em Porto Alegre.
O dirigente integrou a mesa “Conversando com o Especialista”, que debateu o tema “Fui agredido ou assediado no exercício profissional. E agora?”. Também participaram da atividade o moderador médico Davi de Paula, o conselheiro do Conselho Regional de Medicina do RS (Cremers) Eduardo Montagner e a advogada da entidade Carla Belo.
Durante o painel, Marcelo Matias destacou que a violência contra médicos vai além das agressões físicas e verbais, abrangendo também dimensões legislativas, midiáticas, econômicas e judiciais. “Quando a gente fala em violência, sempre tem a ideia daquela violência física propriamente dita, mas ela é apenas um pedaço da violência. A violência é muito mais ampla do que isso”, afirmou.
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O presidente do Simers alertou para o crescimento de episódios de agressão e assédio em ambientes de saúde, especialmente em emergências e unidades de pronto atendimento. Segundo ele, médicos acabam sendo responsabilizados por falhas estruturais do sistema de saúde, como superlotações e espera no atendimento.
Matias também chamou atenção para os impactos da chamada “violência de mídia”, em que profissionais são expostos e julgados publicamente antes mesmo de qualquer apuração formal. “No tribunal da mídia, muitas vezes, não conseguimos nos defender e, mesmo quando conseguimos, o nosso nome já foi colocado à prova”, disse.
Outro ponto abordado foi a precarização das relações de trabalho na Medicina, que acarretam atrasos de pagamentos e vínculos precários, como a pejotização. O presidente ainda ressaltou que muitos casos seguem sem denúncia devido ao medo de represálias profissionais.
Canais de denúncia e ações de proteção aos profissionais
Ao apresentar as ações desenvolvidas pelo Sindicato, Marcelo explicou que o Simers criou canais de denúncia protegidos para médicos vítimas de violência e vem atuando junto às autoridades de segurança pública e instituições de saúde para ampliar mecanismos de proteção nas unidades. Entre as medidas defendidas estão a instalação de botões de pânico e reforço da segurança com guardas municipais e privados.
“O que vocês podem exigir do Sindicato é que nós estejamos ao lado dos acadêmicos e de todos os médicos. Quando surge a insegurança, quando se tem medo de fazer um boletim de ocorrência ou do que pode acontecer dentro do hospital, o Sindicato estará ao lado dos profissionais”, salientou.
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