A Luta

"Ministro deve contratar médicos e não criar ‘meia’ UPA", diz SIMERS

02/01/2017 08:01

SIMERS considera medida uma irresponsabilidade e negligência do Ministro da Saúde

A mais nova solução do governo federal para abrir UPAs prontas e que até hoje não foram inauguradas gerou forte crítica do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers). "O ministro (da saúde), Ricardo Barros, deve contratar médicos para as unidades e não enganar a população", reagiu o presidente do Simers, Paulo de Argollo Mendes, diante da medida que reduzirá o número mínimo de médicos nas UPAs de quatro para dois. A alegação do ministro é que as prefeituras, a quem cabe pelo modelo custear os profissionais, não têm verbas para as contratações. O modelo de gestão prevê que União, estados e municípios custeiem a operação (desde a construção à manutenção, que envolve contratar os profissionais).  "É melhor dois [médicos] do que nenhum. O Brasil precisa cair na real", chegou a declarar Barros.
Brasília - O ministro da Saúde Ricardo Barros, fala sobre a capacidade de atendimento das UPAS 24Hs, durante entrevista a imprensa (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Brasília - O ministro da Saúde Ricardo Barros, fala sobre a capacidade de atendimento das UPAS 24Hs, durante entrevista a imprensa (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
"Quem autorizou a erguer os prédios das UPAs foi o governo federal, ele que arranje recursos para ajudar as prefeituras ou contrate diretamente os médicos", cobra a direção da entidade médica. "Como disse o ministro, ao justificar a alteração da regra: 'É simples o raciocínio. É senso prático'." O presidente do Simers questiona se o ministro, que é engenheiro civil de formação, ergueria um prédio com metade do cimento necessário à construção, sob risco evidente de desabamento. "A espera e o sofrimento dos pacientes vai aumentar, pois a demanda não cairá pela metade, ao contrário, teremos um aumento crescente da população que necessita do SUS e, o que tem sido rotina, de mais tensão e violência", alerta a entidade. O desemprego, que atinge mais de 12 milhões de pessoas no País, provocou o aumento da busca pelo sistema público. "As pessoas não vão bater na porta do ministro, em Brasília, para cobrar atendimento. Antes, elas quebram vidros, cadeiras, agridem atendentes, batem nos médicos. Vamos ter mortes", avisou Argollo. O SIMERS considera a medida, que foi oficializada em portaria nesta sexta-feira (30), uma irresponsabilidade e negligência do principal gestor da saúde no País. O ministro sustentou, na imprensa, que “quase dobrará o atendimento nas UPAs no Brasil, pois passará de 520 a 960 unidades em funcionamento”. Encara-se prédio como fator preponderante para atender mais doentes. "Já que é tudo tão fácil, o ministro poderia fazer o mesmo com a carência de leitos hospitalares. É só colocar dois pacientes na cama que é para um. Melhor meio leito do que nenhum. É simples o raciocínio", exemplificou o presidente do Sindicato. A entidade pretende enviar documento à Federação dos Municípios do RS (Famurs), ao Conselho Nacional dos Secretários da Saúde (Conass), Conselho Nacional dos Secretários Municipais de Saúde e Ministério Público denunciando que não é possível funcionar nas condições previstas. "Uma UPA é uma emergência, recebe casos dos mais graves aos mais simples. Para estar aberta, precisa ter a estrutura adequada e não o que um ministro acha que pode ter", reforça a entidade.
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