A Luta

SIMERS identifica unidades de saúde abandonadas no Litoral

27/01/2017 13:57

Insegurança, número insuficiente de médicos e estruturas ociosas. Em mais uma etapa da Operação de Olho na Saúde no Verão 2017, esses foram os principais problemas identificados pelo Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (SIMERS). Na quinta-feira (26), representantes da entidade estiveram em Palmares do Sul, Balneário Pinhal e Cidreira para avaliar as condições das unidades de saúde durante a época do ano em que a presença de turistas multiplica a população das cidades litorâneas do Estado. “O nosso trabalho é mapear o serviço de saúde no Rio Grande do Sul e garantir que os médicos encontrem as condições básicas para atuar, assim como a população possa ter o atendimento que precisa. Infelizmente, a realidade nem sempre é a ideal”, ressalta a diretora do Sindicato Gisele Lobato.

Descaso com o dinheiro público

No Balneário Santa Rita (praia de Palmares do Sul), um prédio novo, que custou mais de R$ 220 mil e tinha previsão de entrega para julho de 2013, segue com as portas fechadas. Nem mesmo o acesso à Unidade Básica de Saúde (UBS), batizada de Dr. Giovani Batista Molon, conforme indica a placa já fixada na fachada, é viável. Sem qualquer sinalização e com muita areia no caminho, é preciso esforço para chegar ao local. Em Pinhal, a situação se repete. No local em que deveria funcionar uma unidade de saúde, há apenas uma estrutura física com aspecto de abandono. A obra, que teve início em 2011, nunca chegou a ser concluída ou prestar qualquer serviço à população.
A obra da UBS devia ter sido entregue em julho de 2013. Foto: Divulgação/SIMERS
A obra da UBS devia ter sido entregue em julho de 2013. Foto: Divulgação/SIMERS

Violência preocupa

Em Quintão, também pertencente a Palmares do Sul, a falta de segurança foi a principal reclamação. Mesmo após reforma na parte estrutural do Pronto Atendimento de Saúde Quintão (Pasq), são recorrentes os casos de agressão verbal e até física. A última ocorrência foi registrada no início de janeiro, quando um paciente invadiu o consultório e empurrou um dos médicos. Ele precisou ser contido por funcionários, já que não existe a presença de um vigilante no local. Os profissionais que atuam no Pasq também salientaram a necessidade de uma segunda ambulância para dar conta da intensa demanda de remoções e de atendimento móvel. Especialmente nas últimas semanas, depois que a prefeitura interrompeu o contrato com o Samu estadual, o único veículo disponível (que é locado) não tem sido suficiente.
A violência preocupa no Pasq. Foto: Divulgação/SIMERS
A violência preocupa no Pasq. Foto: Divulgação/SIMERS

Demanda intensa por médicos

Já no Pronto Atendimento 24 horas de Cidreira, o problema é o número insuficiente de profissionais: são cerca de 200 paciente atendidos diariamente por uma equipe que varia entre dois e três médicos. “Inclusive, incluindo nessa conta pacientes que chegam esfaqueados ou baleados. Não há nenhuma estrutura para isso. Com isso, eles precisam ser transferidos para hospitais da região, principalmente o de Tramandaí, que acaba sobrecarregado. Consequentemente, existe um risco para a população”, lamenta Gisele. Ela destaca ainda que, após fazer o levantamento de todas as irregularidades encontradas durante mais essa etapa da Operação de Olho na Saúde no Verão 2017, o SIMERS cobrará respostas dos órgãos competentes.
Gisele avalia que o volume de atendimentos é alto pela quantidade de médicos. Foto: Divulgação/SIMERS
Gisele avalia que o volume de atendimentos é alto pela quantidade de médicos. Foto: Divulgação/SIMERS
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