A Luta

UPA Moacyr Scliar revela colapso na rede municipal de saúde

21/07/2018 14:30

UPA Moacyr Scliar lotada
UPA Moacyr Scliar lotada na noite de sexta-feira. Foto: Divulgação/Simers
Superlotação, longa fila de espera e poucos médicos. Essa é a realidade constatada pelo Simers (Sindicato Médico do Rio Grande do Sul) na fria e chuvosa noite desta sexta-feira (20/07) na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Moacyr Scliar, situada na zona norte de Porto Alegre. Desde que começou o inverno, os médicos se desdobram para atender pacientes que chegam sem parar na UPA. A razão é o colapso da rede municipal de saúde. Com a falta de leitos nos hospitais, as unidades de pronto atendimento permanecem abrigando pacientes que necessitam de cuidados intensivos, mesmo sem ter estrutura física e recursos humanos. O resultado são pessoas atendidas nos corredores, salas inapropriadas e profissionais estafados na sua rotina de trabalho. “Temos pacientes com quadro grave que precisam de ventilação mecânica, precisam de UTI. Em função da demanda reprimida, não tem para onde enviar o paciente. Nem os hospitais Independência e Vila Nova estão conseguindo suprir essa demanda. Está muito difícil para nós, como técnicos que somos, exercer a responsabilidade com tanto coisa a ser feita. Mas a gente não foge dessa responsabilidade. A gente procura se dedicar ao máximo para que tudo corra bem”, desabafa um dos médicos que estava de plantão. A situação na unidade Moacyr Scliar beira ao caos. Somente no mês de julho, 14 pessoas morreram na unidade à espera de leito nos hospitais, quatro delas no final de semana passado. Durante a visita feita pelo Simers, cerca de 130 pessoas aguardavam pelo atendimento de três médicos. Para agravar a situação, oito pacientes graves estavam internados há dias na sala de primeiros cuidados, que deveria ser utilizada para medicação, nebulização e outros procedimentos, prejudicando a realização dessa demanda de pacientes. “É um quadro muito preocupante, pois, além da superlotação, há falta de médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem. E a situação deve se agravar ainda mais em Porto Alegre, pois os médicos da estratégia da família e os municipários devem entrar em greve. A quem essa população vai pedir auxílio? Certamente ao prefeito e ao secretário municipal da saúde, que nesse momento não estão aqui para conferir a precária e triste situação existente nas unidades de pronto atendimento”, destaca o diretor do Simers, André Gonzales. Em função do quadro constatado na UPA Moacyr Scliar, o Simers tomará providências que consistem em oficiar o Ministério Público Estadual, a Secretaria Municipal de Saúde, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) e o Grupo Hospitalar Conceição. Na manhã deste sábado (21), o caos continua nas emergências de adultos e é o mapa da própria Secretaria da Saúde que mostra esta situação. Na UPA Zona Norte, há 48 pessoas em observação (maioria à espera de um leito em hospital) para 17 vagas, fora o fluxo permanente de chegada de novos casos com a espera. No postão da Cruzeiro, são 12 leitos de observação e há 26 pacientes aguardando vagas para transferência. Nas emergências hospitalares, a do Clínicas registra maior superlotação, com 116 pacientes para 41 leitos. No São Lucas da PUCRS, são 39 doentes em observação para 17 leitos. Na pediatria, o Hospital Santo Antônio, da Santa Casa, é o mais sobrecarregado, com 22 crianças para 11 leitos, ou seja, o dobro da capacidade. O Simers destaca que todas as emergências para atender pacientes adultos apresentam ocupação acima da capacidade instalada.
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